O presente trabalho analisa a forma com que os representantes não eleitos buscam ser reconhecidos enquanto tal, a partir de mecanismos de autoridade acionados em seus proferimentos. Nossa unidade de análise são os
representative claims (Saward, 2010), demandas de representação acionadas no debate sobre inclusão e educação de surdos, proferidos no GT de Educação da III Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (2012). Mapeamos os claims da seguinte forma: a) quem representa, b) instância formal a que representa, c) em nome de quem fala, d) o que defende, e e) qual mecanismo de autoridade é acionado (histórias de vida pessoais, história do povo surdo, experiência profissional, experiências institucionais,
pesquisas científicas e amparo legal). Conclui-se que o caráter processual da representação não eleitoral conduz a controvérsias como: a) nem sempre as fontes de autoridade são acionadas de acordo com o tipo de instituição representada, b) a autopercepção dos afetados se mostra ambígua, estrategicamente, a depender da proposta apresentada, e c) a fonte de autoridade dos afetados causa comoção e adesão de outros afetados nem
sempre contemplados pelas propostas.